quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O amor em projecção

Naturalmente as nossas projecções nos outros e dos outros condicionam a forma como gostamos ou não de alguém.

Ver o outro através da nossa lente não é ver o outro é principalmente encontrar a forma de encaixar nele o que sabemos que ele é mesmo que não seja.

A percepção do outro nunca deixa de ser a nossa percepção do outro mesmo que esta seja turvada por informação ou opiniões de terceiros, até o observado pode influenciar a imagem que vemos dele, é fantástica a generosidade (sínica) com que olhamos os outros…

Conceber um filho é mais que um acto é uma elaborada construção de desejos, dores, amarguras, alegrias, medos, tristezas, euforias, desejos e ansiedades e muito mais coisas impossíveis de enumerar, mas igualmente validas.

O crescimento de uma criança mais do que assenta em bifes e batatas, assenta e cria base à medida que se enche de nós e reage, reage desde o primeiro momento em que o seguramos nas mãos e cada dia que passa nos desafia mais e melhor, nos confronta e afronta e cresce, cresce sempre e faz crescer por si respeito porque o amor já o trazia no cheiro.

Ainda me lembro do cheiro, não há cheiro igual é grosso, espesso, tem peso e ganha espaço na vida de todos, hoje quando olho para eles ainda sei esse cheiro primordial, mas a pertença mudou eles já não são tão meus mas eu sou cada vez mais deles.

2 comentários: